quarta-feira, 13 de maio de 2009

Conceitos de Identidade

Para o Iluminismo a identidade era algo centrado, que possuía um núcleo interior e que surgia a partir do momento que o indivíduo nascia. Essa característica era “idêntico” a ele no decorrer da sua vida. O que mais importava num sujeito era sua identidade. Já o sujeito sociológico acrescenta que a identidade não era composta apenas dos elementos interiores de alguém, mas da relação entre o interior e o exterior.
O que se encontra no interior não basta para que haja consciência. Pois a modernidade é complexa para acreditar que só isso basta para compreendê-la. A personalidade é formada da relação com pessoas importantes para cada um. Agora essas coisas têm sido muito questionadas pelos pensadores de identidade.
Um sujeito não possui uma identidade única para todos os momentos da sua existência. Dependendo do momento e do contexto as características do indivíduo tomam formas diversas. As processos pós-modernos são mais ágeis e incontínuos. A globalização é dotada de movimentação e evolução rápida. O que hoje é novo, amanhã já se torna ultrapassado e esquecido. Venera-se o passado e os símbolos são reconhecidos porque possuem as experiências de gerações, segundo Giddens. “O impacto da mudança contemporânea tardia é amplo, caracterizada pela descontinuidade, na fragementação na ruptura e no deslocamento contêm uma linha comum” (Tomaz Tadeu da Silva, 1992, p18).
Com essa concepção de que a identidade é composta de várias posições muitas vezes até contraditórias vemos um exemplo real desse fato. O caso do Claurence Thomas que foi indicado por Bush em 1991 para a Suprema Corte americana. Thomas era um juiz negro de visões políticas conservadoras. Na visão de Bush os eleitores brancos (que poderiam ficar contra Thomas pela cor de sua pele) acabaram por apóia-lo devido a sua posição conservadora. E os negros o apoiaram por identificação com a cor da sua pele. Resumindo, o presidente usou de contextos diferentes de percepção da identidade de Claurence T.
Mas surgiu um problema no plano de Bush, quando o candidato dele foi acusado de assédio sexual a uma colega de menor classe social. Isso causou uma divisão na sociedade americana. Os negros acabavam apoiando ele baseando-se na questão da raça, outros contra levando em consideração a questão sexual. Assim aconteceu com as mulheres em relação a quem levava em conta as questões políticas ou as questões raciais. As identidades mudavam de posição mutuamente. Elas se contradiziam tanto na sociedade com na cabeça de cada indivíduo. Não há como definir uma identidade única. Pois, as pessoas levam em conta vários aspectos.

Nascimento e morte do sujeito moderno

O “sujeito humano” torna-se interativo e “centrado” na modernidade. Uma figura discursiva, cuja forma unificada e identidade racional eram pressupostas tanto pelos discursos do pensamento moderno quanto pelos processos que moldaram a modernidade, sendo-lhes essencial. (Tomaz Tadeu da Silva, 1991, p23).
O ser moderno é muito individualista. Antes a individualidade era de outro ponto de vista. Pois, na modernidade o individuo se vê livre de seus apoios estáveis nas estruturas e tradições. Uma ruptura no ciclo que é importante ressaltar é o nascimento do “sujeito soberano” entre o Humanismo Renascentista do século XVI e o Iluminismo do século XVIII.
Descartes falava sobre a substância pensante (mente) e a substância espacial (matéria), que é algo que tem incomodado a Filosofia desde então. O “indivíduo soberano” é o sujeito moderno em dois sentidos: do conhecimento e da prática. É questionável afirmar que o capitalismo buscou uma concepção de indivíduo soberano desse tipo.
O cidadão moderno rodeado de maquinarias burocráticas começou a ter uma noção mais social do sujeito. Mais definido dentro desse contexto. Duas coisas impulsionaram os conceitos de modernidade. Um foi à biologia sustentada por Charles Darwin. O outro motivo foi o aparecimento de novas ciências sociais. A figura desse indivíduo isolado, alienado é posto contra o fundo da metrópole anônima.

A globalização é um a força poderosa que desloca as identidades culturais nascionais em um complexo de processos e forças de mudança. Ela não é um fenômeno recente, tanto a têndencia à autonomia nacional quanto a têndencia à globalização estão profundamente enraizadas na modernidade.
O tempo e o espaço são também as coordenadas básicas de todos os sistemas de representação. Diferentes épocas culturais têm diferentes formas de combinar essas coordenadas. Todas as identidades estão localizadas no espaço e no tempo simbólicos. Podemos pensar nisso nos termos daquilo de Giddens, ele chama isso de separação entre espaço e lugar. O lugare permanece fixo, é nele que temos “raízes” e o espaço pode ser percorrido em um movimento rápido. Harvey chama isso de “destruição do espaço através do tempo”.
Colocadas acima do nível cultural nascional, as identificações globais cameçam a deslocar e, a apagar, as identidadas nascionais. Uma maior interdependência global está levando ao colapso de todas as identidades culturais fortes e está produzindo aquela fragmentação de códigos culturias.
Kenneth Thompson acredita que isso agora tem acontecido em escala global, o que poderiamos chamar de pós-moderno global. Os fluxos culturais criam possibilidades de envio para as mensagens e imagens, entre pessoas que estão bastante distantes umas das outras no espaço e no tempo. À medida em que as culturas nacionais tornam-se mais expostas a influências externas, é dificil conrservar as identidades culturais intactas ou impedir que elas se tornem enfraquecidas através do bombardeamento e da infiltração cultural.
Quanto mais a vida social se torna medida pelo mercado global de estilos e pelos sistemas de comunicação globalmente interligado, mais as identidades se tornam desvinculadores de tempo, lugar e cultura e parecem estar “livres pelo ar”. Juntamente com o consumismo global, as diferenças e as distinções culturias, que até então definiam a identidade, ficam reduzidas a uma moeda global, em termos das quais todas as tradições especícas e todas as diferentes identidades podem ser traduzidas. Este fenômeno é conhecido como “homogenização cultural”.
Em direção a homogenização global, há também uma fascinação com a diferença e com a mercantilização da etinia e da “alteridade”. Pode ser que a globalização não vá simplesmente destrir as identidades nascionais mas é possível que ela vá produzir, simultaneamente, novas identificações “globais” e novas identificações locais.
A globalização é desigualmente destribuida pelo mundo, Doreen Massey chama isso de “geometria do poder”. Isso seria divido em: o que é Ocidente e o que não é não é Ocidente. Embora o ele seja a periferia da globalização, por gostar de seus nativos apenas como puros e de seus lugares exóticos apenas como intocados, a globalização é um fenômenoa essencialmente Ocidental.
Existem três possíveis consequências da globalização. Primeiro; a Globalização caminha em parelelo com um reforço das identidades locais, segundo; a globalização é um processo desigual e tem sua própria “geomtria de poder” e tercceiro; a globalização retém alguns aspectos da dominação global ocidental, mas as identidades culturias estão, em toda parte, sendo relativizadas pelo impacto da compressão espaço-tempo.
Pessoas impulsionados pela pobreza, acabam por acreditar na mensagem do consumismo global e se mudam para locais de onde vêm os bens e onde as chamces dde sobrevivência são maiores. A formação de “enclaves” étinicos minoritário no interior dos estados-nação do Ocidente levou a uma pluralização de culturas nacionais e de identidades nacionais.
A continuidade e a história da identidade são questionadas pela imediatez e pela intensidade dos confrontos culturais globais com isso surge o alargamento do campo das identidades e uma proliferação de novas posições de identidade e a possibilidade de que a globalização possa levar a um fortalecimento de identiades locais ou à produção de novas identidades.
O que essas comunidades têm em comum, o que elas representam através da apreenção da identidade, não é que elas sejam a mesma coisa, mas que elas são vistas e tratadas como “a mesma coisa” pela comunidade. É a exclusão que fornece aquilo que Laclau e Mouffe chamam de “eixo comum de quivalência”.Tem um efeito pluralizante sobre as identidades, produzindo uma variedade de possibilidades e novas posições de identificação. Entretanto, seu efeito geral permanece contraditório.
A transição do produto desses complicados cruzamentos e misturas culturaisque são cada vez mais comuns num mundo globalizado. Estando destinada a acabar em suas raizes culturais, ou no desaparecimento atravéz sa assimilação e da homogenização.
Existem fortes tentativas para se recontruírem identidades purificadas, para se restaurar a coesão, o fechamento e a Tradição, frente ao hibridismo e a diversidade, por um fore revival do nacimento étnico, alimentado por idéias tanto de pureza racial quanto de ortodoxia religiosa.
A outra forma importante de revival do nacionalismo particculariata e do absoluto étnico e religioso é, o fenômeno do “fundamentalismo”. Buscam criar estados religiosos nos quais os princípios políticos de organização estejam alinhados com as doutrinas religiosas. A reafirmação de raízes culturais e o retorno á ortodoxia têm sido, desde há muito, uma das mais poderosas fontess de contra-identificação em muitas sociedades e religiões pós-coloniais e do Terceiro Mundo.
A tendência em direção à “homogenização global”, pois tem seu paralelo num poderoso revival da “etnia”, algumas vezes de variedades mais híbridas ou simbólicas. Baumam tem-se referido a esse “ressurgimento da etnia” como uma das principais razões pelas quais as versãoes mais extremas, desabridas ou indeterminadas do que aconte com identidade sob o impacto do “pós-moderno global”.
O apego ao local e ao particular dariam gradualmente vez a valores e identidades mais universalistas e cosmopolitas ou internacionais, seria “dissolvida” pela força revolucionária da modernidade.
Os deslocamentos ou os desvios da globalização mostram-se, afinal, mas variados e mais contraditórios do que sugerem seus protagonistas ou seus oponentes. A globalização pode acabar sendo parte daquele lento e desigual, mas contiado, descentramento do Ocidente, embora alimentada, sob muitos aspectos.

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